terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Olá a todos,

como já devem ter conhecimento, a célebre Portaria nº868/2006, de 29 de Agosto que regulava a pesca lúdica foi substituída pela Portaria nº 144/2009, de 05 de Fevereiro ( http://dre.pt/pdf1sdip/2009/02/02500/0083400839.pdf) que, ao contrário do que se esperava, é ainda mais restritiva e me parece ainda mais alienada da realidade desta actividade.

Para toda a faixa de costa inserida no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV) foi ainda aprovada a Portaria nº 143/2009, de 05 de Fevereiro (http://dre.pt/pdf1sdip/2009/02/02500/0083100834.pdf) que, qual delírio esquizofrénico de ditador de um qualquer país centro africano, prevê, entre outras barbaridades gritantes, um "defeso" para a pesca ao sargo, Diplodus sargus e Diplodus vulgaris, entre dia 1 de Janeiro e 31 de Março alegando "esgotamento dos recursos marinhos" e uma restrição à pesca lúdica a quatro dias semanais entre quinta-feira e domingo.

Não podemos, não vamos ficar de braços cruzados a lamentar a nossa sorte. Somos filhos desta terra e temos os nossos direitos. Não podemos admitir o atropelo às nossas tradições e costumes que nos tem sido imposto pelo PNSACV. Por tudo isto apelo à mobilização de todos, pondo de parte interesses pessoais, políticos ou económicos. Vamos lutar apenas por aquilo que nos é devido.

Informo também que está a ser criada a ANPLED- Associação Nacional de Pescadores Lúdicos e Desportivos (http://www.katembe2.com/Anuncio_anpled.pdf) para que no futuro sejamos ouvidos pelos nossos legisladores antes de serem aprovadas mais destas "obras literárias".

UNIDOS SOMOS MAIS FORTES!

Obrigado pela vossa atenção

Vítor Hugo dos Reis e Silva

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Bem-vindo

chamo-me Vítor Hugo Silva, sou natural e residente no concelho de Vila do Bispo há 29 anos, como tal tive o prazer de crescer rodeado de toda a natureza em bruto que caracteriza este "cantinho especial" de Portugal Continental. Foi neste "meu quintal" que ao longo da minha infância e adolescência adquiri um interesse especial pelo oceano e pelas actividades de lazer que nele se podem praticar.

Lembro-me perfeitamente daquele primeiro fim de tarde em que acompanhei o meu pai numa maré. Tinha 5/6 anos e enquanto o meu pai mariscava ali por perto consegui capturar três pequenos cabozes com uma linha de mão, a minha primeira pescaria. Uns meses mais tarde e já com a minha cana de pesca novinha em folha, acompanhei o meu tio à pesca pela primeira vez, o peixe não quis nada comigo, mas, depois desse dia, estava despertado em mim o bichinho da pesca.

Uns nos mais tarde e já com algum domínio da respiração com "snorkel" consegui convencer os meus pais a me oferecerem pelo aniversário uma arma de caça submarina. Na maioria das vezes só o prazer de estar no mar a contemplar toda aquela beleza que se escondia abaixo da superficie me deixava maravilhado, mas com o passar do tempo, muita insistência e alguma sorte à mistura lá apareceram as primeiras capturas, um polvinho aqui e uma "ferrada" de navalheira acolá foram mais do que suficientes para me convencer a enveredar (investir) na caça submarima um pouco mais a sério.

Desde muito cedo "andar de prancha" nas ondas era também algo que me dava imenso gozo. A receita era simples, um grupo de amigos, umas barbatanas, uma prancha de esferovite (que nos deixava a barriga completamente raspada) e umas ondas, pequenas de preferência. Estava assim garantido um dia bem passado e mais uns cabelos brancos na cabeça dos nossos pais. Descobrimos então que "andar de prancha" afinal se chamava Bodyboard e que o Mike Stewart era o nome Campeão Mundial. Claro que não demorou muito até todos terem a sua prancha de Bodyboard e começarem a treinar com afinco todas aquelas manobras que apareciam nas revistas.

Hoje em dia estas três modalidades são os meus hobbies por excelência, a pesca lúdica à cana, a caça submarina e o Bodyboard. Três modalidades que quando praticadas com um pouco de bom senso e respeito pelo mar, são saudáveis, não poluentes, promovem o convívio e a amizade entre os seus praticantes e permitem a comunhão com momentos de rara beleza que só a natureza nos pode proporcionar.


Convido desde já todos os leitores deste espaço a desfrutar e a participar na preservação deste e de todos os outros "cantinhos especiais" espalhados pela nossa aldeia global. Só assim podemos garantir que as gerações futuras venham a conhecer o prazer que é "ferrar" um peixe no anzol, a adrenalina de contemplar um exemplar de grande porte a se passear em frente ao arpão, ou o convívio de partilhar umas ondas com uns amigos ao por do sol.

Muito Obrigado